O Início da Guerra Contra a Lua – Parte 2

2789 será lembrado pela história interplanetária por muita coisa, mas não pela escassez de acontecimentos, havia guerras em todos os cantos, era raça querendo dizimar raça, outros querendo se aprimorar e por aí vai, mas do lado terráqueo algo incomodava mais: a sucessão de acontecimentos. A guerra travada contra Marte havia levado milhões de vidas embora, vidas úteis para um planeta em busca de gente, de mão de obra, mas também consumira recursos financeiros e naturais.

Ok, agora a Terra voltava a ser dona de Marte, mas fazer o que com aquilo. Parecia uma vitória meio sem sentido, eram só mais gastos pela frente. Logo haveria mais revolta, afinal, para garantir que nada daquilo voltasse acontecer, ninguém admitia publicamente, mas o plano era deixar o planeta morrer sozinho e com ele, seus moradores.

Lenan Stuart era o chamado “novo marciano”, nascera na Terra mas com apenas dois anos fora descolocado junto com seus pais e sua irmã Diana para o promissor planeta. Há 93 anos os governos enxergavam Marte como um oasis, um posto de recebimento de mercadorias de vários pontos do Universo, já pensavam em como cobrar por passagem, abastecimento, impostos, só esqueceram, como dizia o antigo povo Pruro, de combinar com os russos.

Absolutamente ninguém parava ali e manter aquela estrutura começou a custar muito caro. Ok, graças as novas tecnologias, apenas 24horas de viagem seriam suficientes para ir de um ponto a outro, mas energia plutônica não se encontrava em qualquer esquina, era literalmente necessário trazer de Plutão.

Nesse contexto Lenan foi criado em um mundo de mágoas. Seus habitantes se queixavam que tinham vindo para o planeta vermelho em busca do sonho de enriquecimento, de uma vida tranquila, mas agora, tudo o que encontram era abandono e humilhação. Ora a comida que não chegava, ora peças para o conserto do gerador, ou ainda os intermináveis discursos daqueles humanos poderosos sobre como “o povo de Marte era importante para a causa”.

Lenan era daqueles seres que nascem diferentes, parecem que já viveram umas mil vidas tamanha a facilidade para aprender. Com o passar dos anos, Lenan se tornou um jovem marciano brilhante, com uma mente afiada e uma habilidade incrível para solucionar problemas complexos. Ele passou a dedicar todo o seu tempo livre a estudar e pesquisar formas de melhorar a vida no planeta, e acabou se tornando um líder entre os marcianos.

Certa vez, durante uma reunião com os líderes terráqueos, Lenan apresentou uma proposta ousada: em vez de abandonar Marte, por que não investir em tecnologias e infraestrutura para transformá-lo em um planeta habitável e próspero? A ideia foi recebida com ceticismo, mas Lenan não desistiu.

Ele passou anos trabalhando em sua visão, e finalmente, com a ajuda de outros marcianos e alguns aliados terráqueos, conseguiu colocá-la em prática. Investimentos em energia solar e eólica, construção de estações de cultivo hidropônico, e avanços em tecnologia de purificação de ar e água transformaram Marte em um lugar viável para a vida humana.

E se eu tenho um lugar viável para viver, quem precisa do seus antigos “patrões”, então, em 2765, o comunicado mensal do Presidente da Nova Terra, General August Jimmé simplesmente foi ignorado. Nenhum único aparelho captou o sinal. Marte não precisava mais da Terra… isso não ficaria assim. Lenan sabia que aquele único ato de rebeldia seria extremamente mal visto por Jimmé, só não esperava o que viria a seguir: guerra.

Em um dia como qualquer outro, no ano de 2766, o sol brilhava como sempre, as pessoas conversavam como sempre e então se ouviu o estampido que não poderia ser esquecido. A guerra não declarada havia começado. Os planos eram claros. A retomada do poder em Marte, a destituição de Lenan e sua prisão, além do sequestro de toda tecnologia marciana. Ela voltaria a ser o que sempre fora: um local isolado pertencente aos humanos, nada além disso.

Continua…

O Início da Guerra Contra a Lua – Parte 1

O início da guerra contra a lua

O ano não poderia ser pior, 2789, o planeta Terra acabava de ser atacada por Marte e sua colônia de humanos independentes. Havia resquícios de energia nuclear carbon 72 por todo lado. Graças aos cientistas da Nova Terra, os efeitos não passavam de simples dores de cabeça, ainda assim, incomodavam, e muito.

Com sua base na lua desde 2098, o ser humano transportou para lá um velho hábito: o da conquista.

Países independentes iam, se instalavam e depois, ansiavam por mais território, deve ser algum defeito no DNA humano, especulam cientistas, afinal, cada palmo da lua é exatamente igual ao anterior, ainda assim, havia guerras para conquistas de territórios.

Em 2356, tivemos um versão aprimorada do império romano dos tempos medievais, como são chamados os séculos anteriores ao 22, o povo PruRo, uma mistura de russos originais com alguns dissidentes europeus, havia conquistado toda a lua, todos os demais povos, incluindo o extinto povo (na lua) dos Estados Unidos.

Segundo as contas dos ministros terráqueos, não valeria a pena manter uma base na lua apenas pelo nome, a era da vaidade havia dado espaço para a era da razão.

Desde então, o povo Pruro começou um ambicioso projeto de oxigenação do satélite, o projeto, claro, era complexo. Havia a necessidade de 3 camadas de proteção multilaser para evitar as chuvas de meteoros e também de lixo estelar, cada vez mais comuns, as camadas teriam que ter a possibilidade de abertura e fechamento instantâneo para a saída e entrada de naves. Além disso, uma grande redoma de vidro seria colocada trazendo enfim um ambiente oxigenável para o satélite, a partir daí, permitir sua agricultura e auto-suficiência.

Tudo ocorria sem maiores intercorrências não fosse por um fato absolutamente simples: sementes.

Não havia sementes na lua, agora chamada de Planeta Independente PruRo. Uma comissão diplomática foi enviada ao planeta mãe para negociar a compra das sementes junto as autoridades, mas não obteve sucesso. Uma coisa era tomar para si um satélite sem expressão ou função, outra era querer transformá-lo em um planeta. Além disso, já havia diferenças visíveis nas marés ocasionadas pelo “fechamento” da lua.

Definitivamente não haveria negociação.

Sem saída, ao povo PruRo restavam duas opções:
– comprar o alimento necessário diretamente de outros planetas ou;
– atacar, roubar o planeta mãe em busca de sementes.

Continua…