Os diferentes não podem ser tratados como iguais

Ela chegou.
Não pediu licença, foi se assentando e pedindo os melhores lugares.
Não dá para dizer que a gente não sabia, ela se anunciou durante a viagem.
Mas, né… a gente sempre pensa que acontece somente com os outros.

Hoje eles dizem:
Fique em casa!
Hoje, julga-se quem não fica em casa!

Fácil.
Assim como o amor não passa fome,
A democracia também não.

Ficar em casa dividindo 4 pessoas em 10 cômodos, é uma coisa.
Ficar em casa dividindo 10 pessoas em 2 cômodos, é outra.

Ficar em casa?
Salvar vidas? De quem?

A democracia não passa fome.
Alguém precisa ser culpado.

Quem?
Candidatos não faltam.
O meu, eu já digo.
A falta de bom senso.

A democracia, não passa fome.
Fome.

Conviver com o diverso, mais difícil do que parece…

io-sono-diversoO respeito ao diverso é algo muito difícil no atual momento do Brasil. Outro dia mostrei que era contra o modo como os médicos do Programa Mais Médicos vieram ao Brasil, virei “coxinha”, elitista, racista e por aí vai. Não importavam meus argumentos, importava que eu estava contra a maré e pronto, portanto devo levar “bronca da galera”.

Na onda de protestos me coloquei contra o vandalismo, contra a limitação da liberdade de ir e vir das pessoas bloqueadas pelos protestos e questionei também quantas daquelas pessoas sabiam pelo que protestavam. Outra vez ofensas e mais ofensas, outra vez fui contra a maré.

Não quero que todos concordem comigo, muito pelo contrário, o diverso é o que torna a discussão tão bacana, que chato seria viver em um mundo de unanimidade. Mas sim, quero ter minha opinião respeitada. Sim, tenho todo o direito do mundo de achar o que bem entender sobre o que quiser, você pode concordar ou não, mas eu tenho o direito de me expressar.

Você pode não concordar com os protestos de rua, pode nunca ir para as ruas reclamar os seus direitos, e isso é um direito seu, (perdão pelo trocadilho), mas respeite que você vive em um país plural em que pessoas tem o direito de se expressar como bem entenderem, se passarem do ponto, que sofram as consequencias.

Tenho amigos que falam as maiores barbaridades sobre política, futebol, enfim, mas essas barbaridades são apenas a minha opinião, simples assim. Você não precisa concordar comigo, não precisa nem discutir comigo, basta apenas respeitar o meu direito de pensar desta ou daquela maneira.

Você pode me achar tosco por preferir assistir o jogo do Brasil com a narração do Galvão, ok, você prefere o Luciano do Valle, troque de canal. Quando eu for na sua casa assistir, assisto o Luciano e fico “de boa”, quando você for na minha casa “fique de boa” com o Galvão. Eu posso gostar de música sertaneja e você de rock, quando você estiver comigo ouça Tonico e Tinoco, quando eu estiver com você ouvirei Iron Maiden com todo o prazer.

Podemos nunca concordar com a opinião alheia, você pode achar que os mensaleiros quebraram o Brasil ou dizer que as privatizações nos botaram no buraco. São posições, como todas as previsões há uma margem de erro e acredite:

Você pode estar errado.

E se eu puder, humildemente, lhe dar um conselho, acrescente nos seus comentários um prefixo:

– Na minha opinião…

Pronto, você está convivendo com aquilo que não concorda, está expressando a sua opinião e a vida segue, só que desta vez, muito mais civilizada e amigável.

Viva a democracia, desde que ela tenha tudo que eu quero!

O Brasil é uma jovem democracia e já sabemos disso. Não sabemos muito bem usufruir deste “direito” que há muito não estava em nossas mãos. Votamos em pessoas erradas, usamos as redes sociais para caluniar ou pior, para criticar aqueles que tem uma opinião diversa da nossa.

Os exemplos são abundantes, hoje mesmo, enquanto escrevo este texto leio que o Ministério Público Federal quer que o Twitter cancele contas que avisam sobre blitz da lei seca. Ué?! Não vivemos em uma democracia? Aí você vai argumentar, mas é para um bem maior. É para não deixar que bêbados matem pessoas. Ok, então vamos combinar uma regra? Há liberdade de expressão desde que ela não sirva para avisar bêbados.

Outro exemplo, de hoje também: uma equipe da Rede Globo é expulsa de uma manifestação da PM do Rio de Janeiro porque divulgou conversas do líder do movimento combinando atitudes marginais o que gerou em seguida a prisão do mesmo. Então vamos para mais uma regra? No Brasil há democracia desde que você não exponha líderes de movimentos, mesmo que eles estejam exercendo de maneira calhorda o que lhe foi confiado.

Vamos voltar um pouco no passado com dois exemplos? Marcha da maconha. Tema espinhoso e que todos os anos gera a mesma repercussão. Gente querendo proibir, gente querendo liberar. Maconha faz, maconha é porta de entrada para outras drogas então você não pode, em um país democrático, defender a sua legalização. Que tal mais um adendo à regra ? No Brasil, há democracia desde que você não queira ir às ruas defender qualquer coisa que fira o politicamente correto.

tela_comunicado censura Esmael Moraes
tela_comunicado censura Esmael Moraes

Mais um exemplo? Campanha de 2010, o então candidato, pede (e consegue) que o blog do comentarista Esmael Moraes seja retirado do ar por supostamente conter informações erradas e tendenciosas sobre o candidato. O blog ficou fora do ar alguns dias. Então, assim: mais uma regrinha: No Brasil há democracia desde que você não fale ou escreva nada contrário ao chamado “candidato do choque de gestão”.

A democracia devia ser plena no Brasil. Estes e muitos outros exemplos são vistos todos os dias e por diferentes segmentos. Opiniões contrárias geram acusações, mágoas e processos que somente enfraquecem o direito de plena liberdade. O fim da lei da imprensa, ao contrário do que se propagava tratou-se de um retrocesso para as instituições. Na minha modestíssima opinião, o fórum adequado para resolver qualquer divergência de pensamento é a justiça, tudo o mais nada é além do que a chamada “democracia de porão”.

Nada sobre vilipêndio

Vilipêndio, sempre achei esta palavra bacana e pensava escrever essa palavra em algum texto neste blog, não será desta vez, mas é bom que todos saibam que falarei sobre vilipêndios em algum momento.

Aliás qual é  necessariamente a liberdade que uma pessoa tem para falar algo? Para fazer algo? Ou quem sabe desenhar algo? Recentemente o cartunista Solda, foi acusado de racismo. Na charge que fez, mostra um macaquinho fazendo para banana. O macaco Segundo os  “intendidos” (com ï”mesmo) do assunto era Obama em sua visita ao Brasil.  Segundo Solda, nada mais é que uma referência a República das Bananas.

E realmente importa quem tem razão? Solda perdeu o emprego e ficou com pecha de racista, Paulo Henrique Amorin, ficou com o ar de “denunciei o racismo”e nós com caras de bobos. Bobos porque não pudemos ter a opinião sobre o caso, a maioria aceitou a opinião do renomado  “jornalista”que alias defendeu em uma palestra para o sindicato dos Jornalistas de Curitiba ser contra o diploma e disse mais, qualquer um pode ser jornalista lendo apenas 5 livros, mas esta é uma outra história.

A censura no Brasil é velada, ela existe desde áureos tempos, a própria corte comprou um jornalista que não fazia referëncias elogiosas a ela. No mundo manda-se matar mesmo. Aqui se manda embora e coloca-se um carimbo invisível na testa da pessoa em que diz ˜racista”.

No Brasil algumas coisas são proibidas:

–       falar mal de  índios

–       falar mal de negros

–       Falar bem de militares no tempo da ditadura

–      falar mal do bolsa família

–      falar bem do bolsa família

E por aí vamos… temos censura sim. Vamos ao extremo? Imaginemos que o cartunista em questão tivesse como intenção o racismo. Tem um veículo online que o publicou. Acreditamos nós que os ofendidos não teriam a capacidade de dar uma resposta a altura? Isso não é racismo? Outro dia li uma charge que falava do “Polaco da Barrerinha”, acho que me senti ofendido. No colégio, diziam:

Polaco da Nhãnha dá um peido sai castanha. Ofensa? Sim!

É evidente que não estou fazendo apologia ao racismo que é tão escroto que não conseguimos nominar. Não estamos também fazendo  alusão a luta de cor, as únicas cores que devem lutar são as da caixa de lapis de cor no seu penal.
Estou apenas defendendo que uma pessoa deve ter o direito de fazer o que bem entende, e que aos ofendidos servem os tribunais e as sentenças condenatórias. É verdade também que há muitos séculos negros de todo o mundo sofreram toda sorte de provações e humilhações, mas deram a volta por cima e provaram que são tão  bons quanto qualquer um.

Desenhos, palavras pouco representam perto da luta de um povo, que não deve ser unido por luta de classes ou cores, que não deve ser separado em cotas ou histórias de sofrimento. Deve sim ser unido em busca de um objetivo comum, a educação. Pessoas educadas fazem o certo simplesmente porque entendem que o certo pode lhes levar a um caminho melhor. Pessoas educadas sabem entender textos e charges de modo a não ver macacos onde só há apologias.

Por fim pessoas educadas nasceram para serem melhores que as outras. Eduquem suas crianças, não as deixem a sorte da internet ou de textos canastrões, e todo texto pode ser canastrão, inclusive este, tudo depende da educação que vocë tem para lê-los.

Mas, mais importante que tudo isto é que um dia, falarei sobre vilipêndio.