Quando a culpa não é de ninguém, há mocinhos ou bandidos?

O título se refere a uma questão complexa. Enquanto escrevo este texto, estou angustiado. As coisas não vão bem. Claro, não vão bem na saúde, as pessoas estão se infectando e morrendo, não temos testes para saber qual é o tamanho do problema, não temos perspectivas.

Não vão bem nos negócios, com a tal quarentena em voga, escrevo a “tal” porque oficialmente não estamos em quarentena, não há esse decreto, as pessoas são apenas incentivadas a ficar em casa, por outro lado, inúmeros decretos proíbem atividades fazendo com que a vida “normal” se torne impossível.

Conheço vários profissionais, de todos os tipos, pedreiro, consultor, manicure, pequenos empresários, enfim… pessoas que hoje choram e se perguntam: como vou me virar?

Não tem milagre, os tais R$600 que o governo promete é tipo marmelada, até sustenta, mas não impede a morte.

Também há as demissões, e elas estão acontecendo “aos baldes”, amigos, amigas, pessoas que não tem pra onde “correr”, pessoas que trabalham há mais de 10 anos em um mesmo local, que já estão em uma idade um pouco mais avançada e agora se perguntam como o futuro lhes será apresentado.

Há os empresários que, e sem nenhum tipo de julgamento, apenas constando, apenas buscam salvar a própria pele. Cuidar do seu, até tem algum tipo de sentimento pelos empregos que não salvam, pelos fornecedores que não irão pagar… mas qualquer coisa diferente, dá muito trabalho.

EU mesmo, trabalho em uma empresa, com outras 15 almas, que dela tiram o seu sustento ou parte dele. Estamos perdendo muitos clientes, alguns realmente não tem o que fazer, não tem como continuar, outros, apenas querem se salvaguardar e não pensam no ecossistema como um todo. Junto com meus queridos sócios, Boby e Hallana, estamos fazendo as escolhas mais difíceis e trabalhosas possíveis para não ter que tomar a decisão mais dolorosa, a de demitir. Se vamos conseguir, a história pertence o resultado, mas estamos em busca.

Em época de medo, há pouca ou nenhuma solidariedade, mas também há pouca ou nenhuma inteligência coletiva.

Fazendo um paralelo com o filme da moda, O Poço, a lógica, seria mais ou menos a mesma. Se todo mundo pensasse no próximo, no fornecedor, na negociação, na antecipação, no menor, naquele que tem menos caixa, passaríamos por essa crise mais fortalecidos, mas… assim como no filme… e sem dar spoiler… só resta a esperança, porque os demais seguem pensando em salvar a própria pele, e isso, infelizmente… não é óbvio.

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