Palavra, não a escrita, a dada.

Procura-se-a-honra-da-palavraSempre achei que o combinado não custa caro e trabalho para manter todos os meus compromissos, os advogados, os contratos, a burocracia, tudo isso deixou o fio do bigode distante do dia a dia das pessoas. Para os novíssimos integrantes da raça humana, fio do bigode é um termo usado entre as pessoas para que um acordo fosse fechado, bastava um aperto de mão e pronto, tudo estava consumado. Também, poderia se dar a palavra, um cavalheiro jamais faltaria com um compromisso se sua palavra fosse dada.

Hoje, infelizmente, isso mudou. E o tema é polêmico. Toda vez que nos propomos a fazer algo, apesar de intimamente não concordarmos com tal, o que estamos fazendo, na verdade, é dando a nossa palavra, palavra de honra que aquele compromisso será sagrado, será cumprido e não contestado.

Quantos você conhece atualmente que não importa o que ocorra honram sua palavra? Eu conheço muito poucos. Acima afirmei que o tema é polêmico e é. Pense comigo. Você é contratado, aceita fazer o trabalho X pelo valor Y. No mercado o trabalho é diferente e os valores também, mas você aceitou, não? Ainda assim a justiça está abarrotada de processos de pessoas que se sentiram prejudicadas agora, apesar de não acharem isso anteriormente. Eu sei, há casos e casos, há o assédio que deve ser levado em consideração, Há o conjunto de coisas que não estavam combinadas, e para tudo isso uma justificativa diferente e uma análise diferente e a pergunta que as pessoas deviam se fazer é: estou sendo correto? Estou cumprindo com minha palavra?

Em um país em que a lei do mais esperto vigora sobre todas as demais, entende-se que pode tudo. Não cumprir tudo o que está no contrato, não entregar o serviço pelo valor combinado, atrasar em um dia ou mais o serviço que era para ser entregue ontem, revelar um segredo que prejudicará outro para beneficiar a si mesmo, e assim o dia vai se fazendo, a vida vai se cumprindo.

Há um filme, totalmente imbecil, eu sei, chamado A Herança de Mr. Deeds, o rapaz vivido por Adam Sandler é um típico interiorano que ganha uma fortuna na “cidade grande” e tem que ir pessoalmente tomar posse. Chegando lá, é cercado por toda sorte de aproveitadores que se prevalecem da sua “inocência”, do acreditar em todos para aferir vantagens pessoais. O escracho da palavra, do fio do bigode, um retrato que vivemos diariamente em nossa triste sociedade.

Há uma parábola que conta a história de um agricultor, ele chamou trabalhadores da região para ajudar na colheita, todos deveriam se reunir na fazenda pela manhã e ao final de um dia de trabalho ganhariam 1 moeda de prata. O dia começou e com ele os trabalhos, pouco antes das 12h outro trabalhador chegou pedindo por serviço, o proprietário disse que ele poderia ajudar na colheita. Ao final do dia, como prometido, o pagamento começou, o primeiro a receber foi o senhor que havia chegado depois, ele recebeu uma moeda de prata.

Na fila o burburinho começou:
– Se ele que chegou depois recebeu uma moeda de prata imagina a gente que chegou bem antes…

A medida que a fila do recebimento andava, notavam que todos estavam ganhando uma moeda de prata e a indignação começou, todos sentiam-se prejudicados.

O proprietário, vendo todos indignados, perguntou:

– Por acaso deixei de cumprir com vocês o que tinha prometido?

E realmente somos assim, não nos contentamos com o que nos foi prometido e concordamos, achamos que merecemos sempre e sempre mais.

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