O jornalismo que sonhei, que vivi, que vejo

movahedian20130127082954687Os incautos que aqui me seguem, ou que ao menos leram o “Sobre” sabem que sou jornalista. Me formei em jornalismo em 2003, meu pai sempre trabalhou com comunicação, me inspirava em figuras jornalísticas populares da minha época como Roberto Cabrini e um jornalista totalmente popular chamado Ney Inácio. Como a maioria dos estudantes desta área, fato reforçado depois da queda do diploma, pensava em mudar o mundo, denunciar as mazelas, e blá, blá, blá, e assim como essa mesma maioria, me enganei.

Hoje sou um empreendedor sofredor e acompanho o jornalismo com curiosidade saudosista. Não mudei o mundo, arrumei um ou outro processo de alvos de antigas reportagens e foi só. Vendo que não iriam permitir que o mundo fosse mudado pelas minhas letras em grandes veículos, criei o meu próprio jornal e então descobri que contas precisavam ser pagas, o jornalismo começou a se misturar com as finanças e diante deste perigoso mundo, desisti do hardnews e me aventurei no mundo do entretenimento de serviço, lindo, contava com um editor sensacional, cito Sérgio Ludtke, bancava matérias mesmo que essas ferissem o ego de anunciantes, um dia ele saiu, essa premissa saiu com ele, pouco depois saí também e assim findou-se, por enquanto talvez, minha carreira jornalística.

Como expectador, tenho acompanhando horrorizado o que acontece com o jornalismo, que graças as redes sociais se perde em um leilão alucinado em busca de likes e shares. Mas vocês me dirão:

– Mas Ediney, sempre foi assim, as redes sociais só trouxeram isso à tona.

Talvez seja verdade, mas atualmente além de vir à tona, piorou, a busca pelo sucesso midiático tem pautado as redações e o pior, construído manchetes. Vamos a um exemplo:
Na semana passada o STF decidiu que as operadoras de telefonia não podem ser obrigadas por lei estadual a instalar bloqueadores de celular em presídios. Um lead absolutamente simples que se tornou:

– STF proíbe bloqueadores de celular em presídios
– STF decide que lei de bloqueadores de celular são inconstitucionais.

e por aí vai…

A questão é: o internauta de rede social, em sua grande maioria, lê manchete, comenta manchete, compartilha manchete, a partir desta premissa não importa que no “corpo da matéria” estejam esmiuçados os poréns, as pessoas simplesmente não irão ler. Bom, temos os jornais impressos e destes as pessoas até podem ser salvas pelo texto todo, mas aí, do seu lado, aí mesmo… quantos estão neste momento com um jornal impresso em mãos? O número de páginas físicas dos jornais diminui a cada mês, você acha que o motivo são as pessoas lerem cada vez mais?

Mais um rápido caso, se você chegou até aqui é guerreiro do povo brasileiro e merece.

Manchete dos jornais e principais portais do país:

– Ronaldo diz que solução para o Brasil é cuspir em adversários.

Entendendo o fato:

Ronaldo (que alías é péssimo comentarista – minha opinião, meu blog) comentando o empate da seleção com o Iraque, disse que faltava o jogador raçudo, que dá carrinho, que grite, que cuspa… e foi isso! Você pode achar o comentário do cidadão horrível, sim! Mas você pode distorcer o que ele falou? Não.

O resultado:

Milhares de pessoas xingando o pobre Ronaldo sem ter a devida contextualização do fato.

Há alguma esperança no front, o Nexo, por enquanto se apresenta como um demonstrador puro de notícias, do tipo isso acontece por conta disso, por outro lado, são cada vez mais populares conteúdos como o do Antagonista, que fazem muito bem o que se propõe, apresentar o seu olhar sobre um fato em nada mais que algumas palavras, estes entenderam que se lê cada vez menos e se opina cada vez mais.

O futuro a Deus, a sua crença ou a sua descrença, pertence, mas que ele se apresenta totalmente nebuloso, com um cheirinho de ministério da verdade, ah, isso se apresenta.

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