Julius Stranger: o dono do mundo – parte 4

Aquela mina tinha tanto ouro que era difícil acreditar que ninguém até então havia se dado conta da existência dela. Julius, havia adquirido a propriedade por um preço ínfimo, ninguém antes dava qualquer tipo de atenção para aquele deserto abandonado. Ninguém conseguia acreditar, poucos dólares haviam se transformado em uma das maiores fortunas já vistas.

Julius não era o mesmo homem que há pouco mais de 2 anos perdera o amor, que na verdade, nunca teve. Karen, ainda era lembrada, é verdade, mas como um sopro, uma lembrança que embala pensamentos em uma tarde chuvosa.

Mas, como Julius já antecipara, a “sorte” de encontrar ouro em lugar tão inóspito traria questionamentos, principalmente governamentais, trouxeram!

Em uma tarde de domingo diversos carros pretos, 4 no total, pararam na escada da nova mansão de Strange, vieram buscá-lo para depoimento em uma agência obscura. Julius já estava na escada com malas prontas, ao ver os agentes, simplesmente disse:

– Estou pronto.

Surpresos, confusos, nada disseram, ele entrou no carro e foi conduzido para um prédio no centro da da cidade, sem maiores explicações.

A sala em que foi colocada era ampla, fria, porém muito bem decorada com réplicas de quadros famosos, uma enorme mesa de escritório e algumas poltronas confortáveis. Julius sentou, e aguardou, 14 minutos depois, uma homem de meia idade, calvo, vestindo um terno barato e uma expressão séria foi direto ao se dirigir, ao que agora parecia, um investigado:

– Como você  sabia da localização de todo aquele ouro?
– Eu não sabia. Comprei o terreno para construir uma casa e um laboratório fora da cidade, como você sabe, eu sou um cientista. Precisava de espaço. Foi sorte.
– O senhor espera mesmo que acreditemos que encontrar todo aquele ouro, em um lugar isolado, longe da sua cidade natal, foi apenas um golpe de sorte?
– Eu não espero nada, essa é a verdade.
– Ok, vamos imaginar que isso seja a verdade. Como o senhor ficou sabendo desse rancho?
– Simplesmente entrei na internet e pesquisei um local com as características que queria, conforme já falei com o senhor. Sei que o senhor já invadiu meu computador e viu minhas buscas, sabe que isso é verdade.
– Nós não invadimos seu computador, não poderíamos fazer isso sem uma autorização.
– Claro, papai noel me contou isso ontem.
– Não estou gostando do seu tom. O senhor está aqui apenas para averiguação, ainda não é investigado por nada.
– Então posso ir embora?
– Assim que eu terminar minhas perguntas.
– Mas eu não devia ter direito a um advogado?
– Você acha que precisa de um?
– Sei que não.
– Vamos fazer assim, iremos retomar nossa conversa amanhã. Que tal eu lhe oferecer uma hospedagem aqui nas nossas instalações?
– Certo, já estou com as malas prontas.
– Mas como o senhor sabia?
– Foi um palpite.
– Mais um golpe de sorte?
– Pode-se dizer que sim.

Na manhã seguinte, ainda que tivesse uma noite agradável, um jantar refinado, Julius arrumou as malas e iria embora. Mais uma vez foi até a mesma  para “conversar” com a mesma pessoa.

As perguntas se repetiram, a insistência com o golpe de sorte, mas nada além disso, o agente sabia que não poderia manter Julius ali por mais tempo. Afinal, ter “sorte” não é contra a lei.

Julius foi para a sua nova casa, sentou-se em frente da sua tv, antiga, que não combinava com o ambiente, parecia mais uma peça retrô do que um equipamento que de fato funcionasse. Julius pegou uma espécie de controle remoto, digitou alguns números e ali, naquela tela, o agente apareceu, vestindo o mesmo terno barato, e com a mesma calvície brilhosa. Julius assistiu à cena e ficou tranquilo. Teria alguma paz.

Continua…

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