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jun 12

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Coxinha ou não, a hora chegou!

0HomerinEla é um dos eventos esportivos mais esperados do mundo. Nada angaria tantos fãs ao redor do mundo do que ela. Mas ela tem dono, pai, e este costuma cobrar caro para liberar ela ao mundo. Quem é ela?  A Copa, claro. Quem é o dono? A Fifa, claro. Vale a pena pagar? Aí é outra história.

Quando em 2005 o Brasil apresentou a sua candidatura a sediar a Copa do Mundo já não parecia uma ideia tão boa assim, mas, e o mas pode levar você ao céu ou ao inferno, o Brasil crescia como poucas vezes em sua história, o tal do mensalão ainda não tinha se tornado em um escândalo tão grande e “péra lá”, a copa de 2010 ia ser na África, que diabo, se a África pode o Brasil não pode? Claro que pode! Vamos nos candidatar uai. E lá fomos nós. Projeto pra cá, projeto para lá, consultoria, projetos, sedes, promessas, o Brasil será a nova europa diziam os mais entusiastas, imagina na copa ensaiavam os oposicionistas.

E veio o resultado e sejamos justos, foi carnaval fora de época no país, crescimento econômico, promessas de investimento, o que pode dar errado? Tudo. E deu. O crescimento da economia freiouuuu e se antes a gente reclamava de crescimento de 5%, agora mal passamos dos 3%. Se antes tínhamos esperanças que os majestosos legados da copa seriam permanentes aos poucos fomos descobrindo que ou não ia dar tempo, ou que o projeto estava mal feito ou que sairia bem mais caro do que o esperado, e foi assim que nos deparamos com uma dura realidade. Não teríamos legado e ainda assim teríamos uma conta enorme para pagar.

Tal qual uma família que compra um carro zero e descobre que o valor das prestações poderiam ser investidos em outra coisa, o brasileiro descobriu a conta toda da Copa. Mas façamos justiça: a FIFA é uma empresa e se tem corrupção, se tem compra de votos para sedes, se desviaram dezenas de milhares de euros, como falei anteriormente, não temos nada com isso, eles são uma empresa. Fomos nós, que afoitos de mostrar ao mundo que somos os “The best of the world”, fomos até ela e entregamos nosso coração e nosso dinheiro para que ela impusesse ao povo brasileiro tudo como queria, do jeito que queria, como queria. E nós cordeiramente, aceitamos.

Algo ficou de bom nesta copa, o chute no traseiro que a FIFA nos deu. Acordamos, talvez de saco cheio de tudo o que estava acontecendo. Talvez por descobrir que o tal legado era uma lenga-lenga, talvez por descobrir que vinte centavos fazem sim muita diferença no bolso do trabalhador, talvez por tudo isso e muito mais coisas resolvemos protestar. O clima de festa foi substituído por clima de revolta, o que antes foi comemorado passou a ser desprezado e descobrimos o verdadeiro legado, aquele que talvez tenha ficado ao nosso povo e ao nosso país:

Não precisamos aceitar tudo dos outros. Nem tudo que vem de fora é melhor, é certo, ou vale a pena. Os políticos entenderam, eu acho, que não podem simplesmente se apossar de uma paixão e tentar manipula-la. Já diria o mais redundante dos ditados: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Tal qual o encanto da salsicha se perde como descobrimos o seu modo de fabricação, o encanto do brasileiro diminuiu quando descobriu como a copa de fato é feita.

Enfim, o dia chegou, não adianta chorar, não adianta mais protestar, não adianta inventar. Agora, o que resta é aproveitar aquilo que já aproveitávamos sem precisar gastar, a copa. O jogo. A vibração. O fato de você assistir o jogo, torcer, não anula sua potencial indignação, não. Mas, o local dos indignados em país democrático são as urnas, lá o grito deve ser mais forte.

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