Uma curtida para o ceguinho

Captura de Tela 2014-12-26 às 19.17.20Lembro de uma noite nos idos tempos da internet discada em Mandirituba quanto me deparei com uma comunidade no falecido Orkut difamando uma conhecida minha, nem era minha amiga, mas aquela noite senti como se fosse. Perguntei ao amigo Leandro, afinal de contas por que as pessoas fazem isso no Orkut então ele me respondeu uma das verdades mais absolutas. As pessoas não fazem isso no Orkut, o Orkut é que representa o que as pessoas verdadeiramente são. Nunca esqueci disso, e quanto mais eu conheço as redes sociais, mais é possível descobrir quão incríveis e imbecis nós somos.

Somos uma massa, grudenta, gosmenta, que não consegue existir sem estar conectado intimamente com outro. Nas redes sociais mostramos nosso melhor e nosso pior, normalmente nosso pior é mostrado quando tentamos mostrar nosso pior. Usamos a rede que em 3 ou 6 pessoas podia nos ligar a qualquer pessoa no mundo para difamar, mentir, nos envaidecer, ter inveja, causar inveja, curtir o mal e compartilharmos aquilo que fato desconhecemos.

Tal qual uma massa covarde e acéfala nos movemos para lá e para cá conforme o primeiro post que caiu na nossa timeline nos ordenou. Todo mundo é bom desde que alguém não o tenha criticado. Todos são maus aos olhos do primeiro comentário preconceituoso, maldoso, vil. Combatemos o que consideramos errado com mais erro, xingamos, ameaçamos, maldizemos, espalhamos. Ás vezes nem sabemos o fato, não conhecemos a pessoa e tão pouco frequentamos o lugar criticado, mas, por que não acreditar na pessoa? Por que tenho que ouvir o outro lado da história?

Nas redes sociais tudo parece ser exatamente como é postado, não há perguntas, uma cegueira abominável, intransigente e quem insiste em ficar em nossos olhos assume o controle. Tudo aquilo que aprendemos em casa, na escola, na faculdade ou na vida é esquecido. Compartilhamos as histórias mais absurdas sem questionamentos, o Deus do Facebook queima carros de ladrões, presidentes mandam derrubar aviões ou termos imbecis de privacidade são postados e compartilhados sem senões, um clique e pronto, tá lá, é fácil, ninguém critica, ninguém enfrenta, ninguém vê.

No anonimato de fakes ou mesmo na audácia revolucionária de um sofá mora um sujeito que por vezes é boa praça, por vezes você convida para uma cerveja no final da tarde e quem sabe seja até convidado para ser o seu padrinho de casamento, mas, o teclado, ah, o teclado, este maldito retângulo cheio de quadradinhos, ele funciona como um hipnotizador, a voz do lado direito que diz não pense, faça. A faca nas costas, a certeza do nada.

Quando isso vai mudar? Provavelmente, nunca, ao menos não nestas regras estabelecidas. Continuaremos a ler absurdos, continuaremos a ler “assassino” para pais de família ou “vou te matar” para o acusado de um crime qualquer. A certeza da massa é o seu tamanho, quanto maior o número, maior a coragem, quanto maior o absurdo postado, maiores as chances de ganhar mais likes. Afinal, o que seria a nossa vida se não fosse a constante competição dos likes.

Curte aí.

De nada bom para falar para regulação da internet

Nos últimos 3 meses ando em demasia concentrado em meu trabalho e tenho deixado o blog um pouco de lado, mas a verdade é que não ando achando nada bom para escrever. Assim como o jornalista de “Marley e Eu” que tem uma coluna no jornal e passado algum tempo começa a receber reclamações dos leitores por estar mal humorado, assim também eu (sem o sucesso dele, claro).

Nestes últimos meses tenho conversado mais com pessoas e menos com máquinas. As pessoas são más, simples assim. Incluo-me. Não consigo encontrar esperança nem em mim, nem nos demais. Próximos a mim, todo tipo de gente: pessoas querendo se afirmar, pessoas querendo mandar, pessoas querendo mostrar quão melhores que as demais elas são.

Na internet, talvez seja ainda pior. Nas redes sociais, escondidas atrás de grandes ou pequenas telas, todo tipo de bobagens são ditas. Não importa se o leitor da mensagem ou o destinatário dela é uma pessoa que tem sentimentos, tem família ou que ainda se importa com a sua própria reputação, simplesmente vociferam ferozmente, como se todos tivessem que concordar com sua iluminada opinião.

Não são poucos os casos de pessoas fracas, que levadas por opiniões de terceiros na internet, por fofocas maldosas espalhadas na rede encontram um destino que não se convenciona para ninguém, a morte. Em Ponta Grossa, por exemplo, há dois anos, um rapaz de 17 anos cometeu suicídio porque espalharam na quase falecida rede Orkut que ele seria homossexual . Ele não aguentou as piadinhas e ameaças ocultas e resolveu deletar sua vida deste plano. Ninguém foi punido.

O crime da moda é colocar fotos e vídeos de ex-namoradas e namorados  para apreciação pública. Qualquer motivo é motivo. O mais recente ficou conhecido como o Furacão da CPI, o vídeo mostra a moça fazendo sexo com seu namorado e fazendo coisas que a maioria das pessoas que assistiram e comentaram fazem, mas, como estavam escondidas  por pseudônimos puderam posar de “santas madres teresas” e novamente expelir o seu ódio sem saber exatamente contra o quê e tão pouco o por quê.

Não entrarei em casos como pedofilia, prostituição, comentários racistas ou fascistas que são igualmente pavorosos e expõe a cada dia a natureza podre do ser humano,  quero apenas falar sobre regulação.

Sim, apesar de ter escrito sobre liberdade, sobre censura, sobre negação de todo tipo de liberdade, estou escrevendo para registrar que:  infelizmente sou a favor da regulação da internet.  As pessoas não podem mais se esconder. Continuo a favor da liberdade, de escrever e visitar que sítios quiser.

Comentários em blogs, sites jornalísticos e afins deveriam ser amplamente liberados, incluindo uso de palavrões ou frases ofensivas, mas estes só deveriam ser aceitos mediante documento de comprovação como RG ou CPF.  As empresas provedoras dos serviços seriam responsabilizadas pela segurança das informações.

Esta, é claro, é só a minha opinião cheia de vícios e contaminada por tudo o que vivi até hoje.  Se você não concorda, respeito-o imensamente, se puder não ofender minha mãe nos comentários, agradeço da mesma forma. Infelizmente termino este texto como comecei, ainda sem ter coisas boas para escrever.

Coisas que concordo: A opinião de Aroldo Glomb sobre punições eleitorais no Facebook


Abaixo opinião do colega Jornalista Aroldo Glomb>

Por que não concordo?

1 – No Face as pessoas podem seguir o que quiser, ou deixar de seguir!
2 – Todos nós então estmos no mesmo barco! Quantas pessoas eu vejo aqui escrevendo sobre política, que a cidade X tem o pior sistema de transporte, que o prefeito Y gasta a verba com propaganda pra todos os lados e não com, por exemplo, professores…? Como diferenciar legalmente se é uma opinião pessoal ou propaganda?
3 – Claro que todas as ações de candidatos são visando a eleição, mas não será um link que fará alguém mudar de opinião – ou adquirir uma!
4 – Algo que me deixa com dúvida. Obras em toda a cidade JUSTAMENTE neste ano não justificaria tbem, de certa maneira, uma propaganda? Prefeito Y espera 3 anos para fazer uma porrada de coisas e isso não é uma forma de querer ganhar voto?

Em tempo – vivemos em um lugar em que a suplente, COM APENAS UM VOTO, acaba assumindo cargo público! Só isso vale reflexão, ou seja, tem coisas que merecem mais atenção do que a utilização de uma rede social (que, convenhamos, quase todas as pessoas fazem o mesmo, com humor, etc)

Em tempo 2 – Se FULANO ABRESTO postar no face que faltou remédio no postinho de saúde para ele na semana passada, isso é uma propaganda contra um político ou uma manifestação contra algo que não funcionou para ele?

Minha opinião PESSOAL, gente… não acompanho nenhum candidato e pretendo nem votar este ano (não quero ser o responsável, hahahah – ops, serei multado?)

Aroldo Glomb é jornalista, amante dos bons debates e torcedor fanático, sem necessariamente pertencer a este grupo.

Facebook do Aroldo clique aqui! 

Internet vs. Mídia tradicional: mudança sem retorno

Pesquisa revela que 83% dos consumidores de mídia no Brasil produzem seu próprio conteúdo de entretenimento usando, por exemplo, programas de edição de fotos, vídeos e músicas. O público de faixa etária entre 26 e 42 anos é o mais envolvido com atividades interativas na rede.

De Venício Lima no Agência Carta Maior

Duas pesquisas divulgadas recentemente mostram, de forma inequívoca, a dimensão das mudanças que estão ocorrendo no “consumo” de mídia, tanto no Brasil como no mundo. Elas são tão rápidas e com implicações tão profundas que, às vezes, provocam reações inconformadas de empresários e/ou autoridades que revelam sérias dificuldades para compreender ou aceitar o que de fato está acontecendo no setor de comunicações.

Internet supera TV

A primeira dessas pesquisas é “O Futuro da Mídia” desenvolvida pela Deloitte e pelo Harrison Group. A Deloitte é a marca sob a qual profissionais que atuam em diferentes firmas em todo o mundo colaboram para oferecer serviços de auditoria e consultoria. Essas firmas são membros da Deloitte Touche Tohmatsu, uma verein (associação) estabelecida na Suíça. Já o Harrison Group é uma consultoria independente com sede nos EUA.

A pesquisa, realizada simultaneamente nos EUA, na Alemanha, na Inglaterra, no Japão e no Brasil, identificou como pessoas entre 14 e 75 anos “consomem” mídia hoje e o que esperam da mídia no futuro. A coleta de dados foi feita entre 17 de setembro e 20 de outubro de 2008 e a amostra foi dividida em quatro grupos de faixas etárias: a “Geração Y”, com idade entre 14 e 25 anos; a “Geração X”, que tem entre 26 e 42 anos; a “Geração Baby Boom”, formada por pessoas entre 43 e 61 anos; e a “Geração Madura”, que compreende os consumidores entre 62 e 75 anos. No Brasil, foram ouvidas 1.022 pessoas, classificadas nas quatro faixas etárias.

Vale a pena transcrever o que a própria Deloitte relata sobre alguns dos resultados referentes ao Brasil (cf. Deloitte, Mundo Corporativo n. 24, abril/junho 2009).

O levantamento mostra que o Brasil, com um mercado formado essencialmente por um público jovem é, dos cinco países participantes da pesquisa, aquele em que os consumidores gastam mais tempo por semana consumindo informações ofertadas pelos mais variados meios de comunicação e se mostram especialmente envolvidos com atividades on-line. Os consumidores brasileiros gastam 82 horas por semana interagindo com diversos tipos de mídia, incluindo o celular. Para a grande maioria (81%), o computador superou a televisão como fonte de entretenimento. Os videogames e os jogos de computador constituem importantes formas de diversão para 58% dos entrevistados. (…) (grifo nosso)

Uma das principais informações reveladas é que o usuário quer participar, interferir. De acordo com as entrevistas realizadas com o público nacional, 83% dos consumidores de mídia produzem seu próprio conteúdo de entretenimento usando, por exemplo, programas de edição de fotos, vídeos e músicas. O público de faixa etária entre 26 e 42 anos é o mais envolvido com atividades interativas na rede. Quanto mais jovem, mais propenso a produzir seu próprio conteúdo on-line.

Um dado extremamente revelador é que assistir à televisão é a fonte de entretenimento preferida pelos entrevistados de todos os países participantes da pesquisa, com exceção do Brasil. Entre nós, a TV aparece em terceiro lugar, as revistas em sétimo, o rádio em nono e os jornais em décimo.

O quadro (adaptado) abaixo revela as preferências brasileiras.

Fontes de entretenimento favoritas – Brasil

1º – Assistir a filmes em casa (não inclui filmes na TV) ………55 %

2º – Navegar na internet por interesses pessoais ou sociais..53 %

3º – Assistir à televisão …………………………………………………46 %

4º – Ouvir música (usando qualquer dispositivo ………………..36 %

5º – Ir ao cinema ………………………………………………………..30 %

6º – Ler livros (impressos ou on-line) ……………………………..25 %

7º – Ler revistas (impressas ou on-line) ………………………….16 %

8º – Jogar videogames ou jogos de computador ……………..14 %

9º – Ouvir rádio ……………………………………………………………13 %

10º – Ler jornais (impressos ou on-line) ………………………….12 %

Para um país acostumado – há décadas – à hegemonia não só da televisão, mas de uma única rede de TV, esses dados não deixam de ser surpreendentes.

Participação ativa

Já a vontade majoritária de participar e interferir na construção do conteúdo, revelada pelos entrevistados brasileiros, acaba de vez com a idéia do obtuso “Homer Simpson” (cf. L. Leal Filho, “De Bonner para Homer”, Carta Capital, 7/12/2005) e com o mito da passividade dos nossos leitores, ouvintes e telespectadores.

Mais do que isso, os dados colidem frontalmente com as práticas históricas dos principais grupos de mídia brasileiros que, salvo raras exceções, sequer admitem a existência de ouvidorias ou de ombudsman em suas empresas.

A supremacia das redes sociais

A pesquisa Deloitte/Harrison faz referencia a outra pesquisa divulgada em junho de 2008 pelo Ibope/Net Ratings sobre o surgimento das “redes sociais virtuais”, ou seja, os sites de relacionamento que reúnem internautas com os mesmos interesses. Segundo esta pesquisa, 18,5 milhões de pessoas haviam navegado neste tipo de site em maio de 2008. Se somados os fotologs, videologs e programas de mensagens instantâneas, o número salta para 20,6 milhões.

Pois bem. No painel de abertura do 8º Tela Viva Móvel, dia 20/5, em São Paulo, o gerente de conteúdo e aplicações da Oi, Gustavo Alvim, informa que as redes sociais já desempenham papel mais importante que o acesso a emails no cenário da internet mundial. Em média, enquanto 65,1% dos usuários mundiais de internet acessam emails, 66,8% acessam redes sociais. “E o Brasil é o líder absoluto em redes sociais, com 85% de seus internautas que acessam pelo menos uma rede social”.

Os dados vêm confirmar a aplicabilidade da hipótese do “long tail” (Chris Anderson) à “cultura convergente” – como faz Henry Jenkins – e, particularmente, reafirmar a tendência já prevalente da contextualização, análise e organização capilar de conteúdos, inclusive os jornalísticos, em sites e blogs, deixando para trás os velhos modelos dos jornais impressos diários.

“Pendurados na internet”

Diante desses dados – e das importantes transformações que sinalizam – é que se deve compreender a recente declaração do senhor ministro das Comunicações na abertura do 25º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, no dia 19/5, em Brasília.

Segundo relata Mariana Mazza do Televiva News, depois de fazer uma vigorosa defesa da radiodifusão e registrar o abismo entre o faturamento da radiodifusão e das telecomunicações – “o setor de comunicação fatura R$ 110 bilhões por ano. Desse total, somente R$ 1 bilhão é do rádio e R$ 12 bilhões das TVs. O resto vocês sabem muito bem onde está” –, o ministro sugeriu que os jovens devem usar menos a internet e assistir mais programas de TV e de rádio. “Essa juventude tem que parar de só ficar pendurada na internet. Tem que assistir mais rádio e televisão”.

Ao que parece o senhor ministro – e os radiodifusores que ele tão bem representa – estão realmente perdendo o “bonde da história”.

é Pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília – NEMP – UNB