Julius Stranger: o dono do mundo – parte 2

O que é afinal de contas um dia?
Apenas a soma de horas e minutos para recomeçar em seguida?
Uma fase da vida?
Uma jornada?

Julius não tinha resposta para esse dilema que lhe acertara com força, afinal os dias perderam o valor para ele.
Já se iam 30 dias desde que Karen, a moça que mal conhecia, mas que amava com todas as forças do seu coração partira para não voltar.

Se ao menos ele pudesse viver mais um dia com ela.
Ouvir suas histórias, descobrir o que afinal de contas fez com que ela lhe desse atenção…
Mas não, ela se fora para sempre.

Minutos, dias, horas, tudo empilhado formavam uma conexão entre si, e isso, afinal de contas, era invenção? Era física? Era matemática?
O que era o tempo?
E se… E se houvesse um modo de domar o tempo? Fazer com que andasse para frente ou para trás?
Uma máquina do tempo? Não. As variáveis são tão subjetivas que apenas a tentativa já geraria muito risco para a vida.

Mas, o tempo tem necessariamente relação com o que chamamos dias, horas?

Depois de 30 dias, Julius retornou às aulas no MIT com uma convicção:
iria domar o tempo.

Afinal, quem “isso” pensa que é para determinar quando possamos ou não viver algo?
Falou com seus orientadores e pediu tempo para pesquisar, foi concedido, afinal, aquela mente não aprendera nada novo desde o primeiro ano.

O tempo.
Domar o tempo.

O tempo, aquele que deveria ser domado passou, Julius não saia de casa para nada.
Sua mãe e seu pai o visitavam vez ou outra para ver como ele estava.

Não entendiam como um romance de algumas horas poderia ter causado aquele efeito em Julius.
Tia Selma, tinha certeza de que se tratava de feitiço, era preciso quebrar.
Julius se divertia com aquilo e garantia que estava tudo bem.

Karen, era a inspiração, é verdade, mas o trabalho já tomara o coração de Julius e virou obsessão.
Era 13 de dezembro, seu amigo, na verdade, tinham se visto algumas vezes na Universidade, o convidara para o aniversário, mas ele não queria sair. Estava frio, a neve tomava as ruas e se acumulava…

Então, como alguém que lembra de comprar leite no final do dia, Julius teve a epifania.

Sim, ele iria conseguir domar o tempo.

Continua…

Capítulo 1
Capítulo 2

Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5

Julius Stranger: o dono do mundo (parte 1)

Julius Stranger era o homem mais rico do universo conhecido.
Ainda que viesse de uma família pouco abastada, nunca lhe faltara nada e pode estudar nas melhores escolas, parte por seu próprio intelecto avançado, parte pelo esforço de seu pai, John Stranger, que trocava trabalho por estudo e materiais.

Ainda no ensino médio, Julius se destacava frente aos colegas e o resultado foi que não terminou nem o primeiro ano e foi alçado ao MIT com bolsa integral e salário para pesquisa.

Na universidade, a vida de Julius parecia um conto de fadas, podia se concentrar 100% do tempo nos estudos, tirava boas notas e não tinha nenhuma preocupação com contas, até que conheceu Karen.

Karen era o extremo oposto de Julius, ainda que também fosse razoavelmente inteligente, não tinha como estudar naquela Universidade, porém, vinha de uma família que se formava há gerações no MIT e eram doadores contumazes, com esse “currículo” acabou sendo aceita.

Naquele dia, o mundo de Julius, e de todos os seres humanos, mudou para sempre.

Como um incêndio que arrasa florestas, o olhos de Julius brilharam quando viu Karen pela primeira vez, era uma aula qualquer de física quântica, dessas que ele já decorara ainda na sexta-série, mas Karen não, ele nunca vira igual beleza. Seus pensamentos foram imediatamente tomados pela beleza de Karen que, percebendo os fulminantes olhares, se divertiu com aquilo e mandou um

– “olá”.

Fora o “olá” mais arrasador que Julius tinha ouvido na vida.

Alguém que estuda tanto, que não fez sequer o ensino médio, ou high school, não tinha tempo de namorar, e era isso, Julius nunca namorara, era, portanto, totalmente inocente na arte da conquista, ao contrário de Karen, que emendava relacionamento em relacionamento.

A partir daquele dia, os números, as invenções perderam espaço na cabeça de Julius que só tinha pensamentos para Karen. Ela, que havia gostado do jeito tímido e interiorano do rapaz lhe convidara para sair, um bar, uma bebida, uma passada no dormitório e pronto. Estava consumado. Julius não iria mais esquecer daquela noite.

Mas a vida, caros e desavisados leitores não é algo escrito em manuais e suas surpresas são o âmbar principal da existência, assim, na manhã seguinte, atrasada para a aula de geometria aplicada, Karen deixou Julius na cama e correu atrasada.

Uma rua.
Um carro.
Uma distração.
O fim.
Karen estava morta.

O mundo não sabia, mas naquele momento, seu destino estava selado, e um homem cheio de dor e sofrimento seria o seu dono. Os acontecimentos daquele dia ditariam a humanidade e seu triste destino.

Continua….

Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5

A alegria genuína

Ver a alegria genuína de alguém é algo sublime, divino e extremamente emocionante. O brilho no olhar. O sorriso, o choro sincero. Tudo isso faz a gente ter certeza de que sim, há algo mais, há humanidade, nós podemos ser muito melhores do que nos apresentamos. O exemplo da menina Rinah, de Macapá é um dos grandes exemplos. Um bolo, era isso que ele queria. Foi isso que ela pediu. A situação tava difícil e o valor do bolo iria fazer diferença, mas junta aqui, empresta ali e saiu até um cachorro quente com refrigerante e Rinah chorou.

Chorou o choro sincero da vida, daquilo que queremos e conseguimos. O choro de não se sentir sozinho. O choro de alegria, o choro bom, o choro gostoso, o choro da felicidade.

É assim também com trabalho voluntário, quando você não recebe nada em troca e acaba recebendo muito mais do que deu. Recebe humanidade. Recebe amor. Não dá para medir, não dá para nem mesmo para contar aos demais.

Quando você presenciar um momento destes, contemple-o. Ele é único. Você pode não ter outra oportunidade. E não pense que eles só aparecem na dificuldade, não. Ele aparece no abraço sincero, no presente de natal conquistado, ao ouvir a voz de quem se ama. Ele está lá, basta você baixar a tela do celular e ver. Simples assim.

Quem quiser ler a história da menina Rinah, clica aqui

E quem quiser ver outro momento genuíno dá uma olhada nesse vídeo aqui de pessoas ouvindo pela primeira vez

A tragédia de uma segunda-feira que nunca acaba

monday-morning-mugAs segundas-feiras são o motor propulsor de muitas reclamações da na vida das pessoas, afinal, você vem de dois dias de “pé na jaca”, passou momentos agradáveis com familiares ou mesmo na balada e assim, com um virar de ponteiros, você se vê na labuta tradicional, lidando com problemas novos e velhos e eles não se resolverão sozinhos. Como um dia assim pode ser querido? Mas, e como sempre digo aqui, o mas é a linha condutora das nossas vidas, um fenômeno novo, diriam alguns “terrível”, se apresenta em nossas vidas: a segunda-feira que nunca termina.

Com o avanço da tecnologia, com a comunicação cada vez mais direta e rápida, as pessoas estão se acostumando a mudar o seu calendário e todos os dias é dia de resolver problemas, todo dia é dia de tomar decisões, todos os dias ganharam a “importância” de uma segunda-feira. A data passou a ser uma mera coadjuvante na vida das pessoas. Me falarão, ou escreverão, os incautos que basta você se desligar, não atender, não ler, não responder. Direi aos senhores que concordo, mas concordo desde que você não seja um empreendedor, não seja funcionário público concursado e não tenha cargos de chefia em uma empresa privada, aí… e só aí…. tudo bem. Caso contrário, bem vindo ao mundo de verdade.

De maneira nenhuma neste texto estou culpando os que pedem serviços ou os que respondem, não, não é isso. Como disse anteriormente, é algo novo e portanto carece de adaptação, muita coisa vai mudar, quem sabe… até mesmo o calendário. Saber que o seu prestador de serviço está ali, a um clique de sua dúvida lhe dá uma confiança nova. Quando a demanda urgente aparecer, sim, não importa se é sábado ou domingo, feriado ou natal, você terá que agir, afinal você leu a notificação. Você não deixou claro que não faria isso na assinatura do contrato. Sim, você terá que tomar decisões.

Lembre-se sempre:

– Tem celular? Vai receber mensagens SMS ou via Whatsapp
– Tem Facebook? Vai receber mensagens inbox
– Tem Twitter? Vai receber DM

Talvez, e só talvez, o email seja a sua última fronteira entre o horário de expediente e o plantão, essa barreira está caindo de madura e logo isso também deixará de existir.

Mas e a solução? Qual é a solução? Ainda não há a receita de bolo para isso. Ainda não há um desenho claro de como estas relações se darão, uma coisa é certa: elas acontecerão. Mas acalmem-se, se a tecnologia está nos jogando para o buraco sem fim de uma segunda-feira, ela igualmente pode nos jogar para o sol de um domingo. Ao relativizar a presença física a tecnologia também pode no futuro estender o seu domingo, pular a volta do feriadão para o dia seguinte em que o trânsito não será caótico, além do ballet da sua filha poder acontecer durante o seu horário de expediente, afinal, toda hora é hora de expediente e de lazer ao mesmo tempo.

Não há saída, mas também não é algo para se lamentar indefinidamente, é apenas uma nova postura nas relações de trabalho, apenas isso, acostumem-se!

Pequenas coisas exigem grandes atitudes.

pequenas_coisasMuitas vezes, tá bom, vá lá, na maioria das vezes da vida nós nos preocupamos com coisas tão pequenas, tão insignificantes que as coisas realmente importantes ficam em segundo plano. Há um ditado popular que diz que a pessoa era tão pobre, mas tão pobre que só tinha dinheiro. É verdade.

Deixamos de ler, de falar, de conviver apenas para trabalhar. Sim, eu sei que o trabalho, o dinheiro são necessários e são a partir deles que conseguimos proporcionar a nós e a nossa família conforto e outros prazeres momentâneos que, claro, são extremamente necessários.

Sou pai de uma linda menina (que pai não acha a sua menina linda?) e tem um moleque a caminho, e não importa quão caros sejam os brinquedos que dê, não importa o tamanho da viagem que façamos, o embrulho do papel é mais legal, o Beto Carreiro é mais legal que a Disney e andar de ônibus é mais legal que andar de carro porque toda a minha enorme família estará junta. Pequenas coisas.

Mas as pequenas coisas não são unanimidade. Elas são tidas como prêmios para os “resolvidos”, e aí voltamos a questão do dinheiro. Até concordo. É muito mais fácil darmos atenção total quando não temos outras coisas para nos tirar a atenção. É mais fácil escolher entre locais quando se pode escolher entre locais.

Mas há coisas que só dependem de nós. Se você tem tempo, só tem uma coisa, limpe a mente e foque! Foco naquilo que lhe é caro. Foco na sua família. Foco nos seus amigos. Como diz a música, o que tiver de ser será, não adianta lutar contra.

Como conselho, e se conselho fosse bom a gente abria lojas, mas pense, há gurus e consultores, então os conselhos não são tão inúteis assim, digo seja competente quando estiver no trabalho. Trabalhe como um louco quando está trabalhando e seja uma pessoa amável quando está em família, no fim, isso é o que interessa.

Se a receita do bolo está pronta, coma. Se puder acrescentar um recheio, faça! É nas pequenas mudanças que fazemos é que podemos dar atenção as pequenas coisas.